Cresci a ouvir estas palavras. No início, eram apenas ruído de fundo, mas na pré-adolescência começaram a magoar. E, por mais triste que seja, ainda as ouço hoje.
As filhas dos outros:
- Chegam a casa e contam tudo o que aconteceu, “até dá gosto”.
- São tão magras, nem parecem que já foram mães.
- Têm filhos.
- Tratam e alimentam os pais.
Esta filha nunca foi de contar muito, talvez porque também nunca lhe contaram grande coisa. Já foi magra, mas agora não é. E também não é mãe.
Mas esta filha já cuidou dos pais até ao limite do esgotamento. E esta filha incentiva-os a serem ativos e independentes pelo maior tempo possível, porque sabe — porque viu — o que acontece quando se perdem essas pequenas liberdades. Esta filha já trabalhou em lares e não recomenda.
Esta filha também não cozinha há três anos. Não porque não queira, mas porque perdeu o lar que construiu com amor. E há feridas que demoram mais tempo a sarar.
O Impacto da Comparação
De acordo com a Infopédia, comparação é o ato de examinar dois elementos em conjunto para procurar semelhanças e diferenças ou fazer um juízo de valor.
E o impacto da comparação?
Frustração. Insegurança. Stress para quem é comparado. Distância e desgaste na relação com quem compara. E, acima de tudo, uma sensação permanente de insuficiência.
Reflexão e Encorajamento
Cada pessoa é única e deve ser amada e aceite pelo que é.
Nem todas as filhas dos outros são felizes. Nem todas as filhas dos outros querem ser como são.
E cada um carrega a sua história, para além do que os outros conseguem ver.
