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A Irresponsabilidade Emocional do Ghosting

    uma mulher sentada num banco do jardim com um telemóvel na mão

    Estava interessada, confesso. E quando ele começou a falar com alguma frequência, fiquei contente. Ingénua? Talvez. Mas também sou humana.

    No dia seguinte sonhei com ele. Tinha colocado uma foto nova no perfil. Tradução imediata para o meu cérebro cansado de iludir-se: ainda está à procura. E eu? Continuava a não ser vista.

    Convidou-me para ir a casa dele, o que, convenhamos, é o código moderno para sexo. E sim, eu deveria saber melhor. Mas no perfil dizia estar à procura de uma relação. Casual, ok… E eu, a querer dar-lhe uma oportunidade, decidi ignorar os sinais.

    Sou uma lady — e as ladies não vão a casa de homens desconhecidos. Foi o que respondi. Então combinámos sair. Este domingo. O mesmo domingo em que escrevo estas palavras.

    Três dias de silêncio. Três dias sem uma palavra. E eu, ainda a alimentar a esperança de que ele caísse do céu hoje.

    A Dor de Ser Invisível

    Parecia ser tudo o que não é. Enviava fotos, contava-me a rotina, mostrava interesse. E eu? Eu preocupava-me com a possibilidade de ele não gostar da minha papada. Como se isso fosse o maior problema.

    Fiquei nervosa. Os tremores voltaram. Comecei a duvidar da qualidade do magnésio. Quando, na verdade, o que estava em causa era a qualidade do homem — e a carência desta mulher que vos escreve.

    Hoje, a dor da rejeição apareceu disfarçada de falta de ar. Daquelas que lembram ataques de pânico.

    O Luto de um Quase-Encontro

    Devia parar. Porque continuar a fazer as mesmas coisas e esperar resultados diferentes é, como já sabemos, um ciclo que só gera frustração. Mas aqui estou, presa nesta dança da solidão.

    Hoje é dia de luto.
    Luto por um quase date.
    Por quinze dias perdidos em palavras, em esperança, em faz de conta.
    Luto por mais uma dor que veio ocupar espaço onde já mal cabe mais nada.

    A dor fica cá por enquanto.
    Mas eu também fico.
    E um dia, aprendo a sair antes que me apaguem.

    Reflexão e Encorajamento

    O ghosting é mais do que uma ausência. É uma irresponsabilidade emocional. É não saber — ou não querer — lidar com o impacto que se tem no outro.

    A rejeição, mesmo quando vem de alguém que não vale a pena, dói. Dói porque nos remete para medos antigos. Porque ativa inseguranças. Porque nos lembra que, às vezes, ainda procuramos fora o que só pode ser reconstruído dentro.

    Se estás a passar por isto, não te envergonhes da tua dor. Não há hierarquia na dor. Um quase também pode partir-nos.

    Mas lembra-te: ser ignorada por quem não sabe cuidar nem de si próprio não é sinal do teu valor.

    Cuida de ti. A sério. Dá-te o que procuras nos outros. E lembra-te: não estás sozinha. Eu também já escrevi no dia em que alguém não apareceu.

    E estou aqui. Ainda a escrever. Ainda a sentir. Ainda a levantar-me. Como tu.

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