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A Magpie das Alianças

    uma pega a debicar um pequeno monte de alianças

    Quando vejo uma aliança, não consigo evitar olhar para ela. Se o dono repara na minha obsessão, faço um esforço para desviar o olhar… mas nunca por muito tempo. Shame on me!

    Hoje fiquei presa numa aliança em particular. Larga, preta, com as bordas prateadas ou douradas — não consegui perceber bem. O problema? O portador do shiny object reparou. E eu reparei que ele reparou.

    Agora, imaginem um ano de psicoterapia e eu a tentar não olhar para a aliança da psicóloga. Não foi fácil. Ainda por cima, era diferente, chamava mais a atenção. Aposto que ela fez logo a análise do comportamento, mas nunca falámos sobre isso.

    Mas eu sei as minhas razões. Não é o objeto em si, é aquilo que ele representa. E é isso que eu cobiço.

    A Aliança que Nunca Tive

    Apesar de já ter usado várias alianças e anéis, nunca tive no dedo anelar esquerdo a aliança dos meus sonhos. Bem singela, um círculo de ouro de 2,5 mm (se não me falha a memória).

    Casei em Inglaterra, e por lá as modas são outras — o típico matching set, com anel de noivado e aliança a combinar.

    Vamos à minha lista:

    • Um anel de namoro.
    • Um anel de noivado com uma zircónia solitária.
    • Uma aliança de ouro branco com brilhantes.
    • E, por fim, um solitário de pérola.

    Todos escolhidos por mim.

    Depois do dia da última mentira, nunca mais usei aliança. E quando decidi sair de casa, a pessoa ainda andava com a dele no dedo. Foi preciso uma discussão para ele tirar a circunferência, como se fosse um amuleto capaz de o salvar do fim já declarado.

    Será que existe um grupo de apoio para quem quer deixar de olhar para as alianças dos outros? I’m in!

    O Que Está Por Trás do Ouro

    O Google diz que a aliança é um símbolo de união e fidelidade entre casais cristãos. Nos dias de hoje, simboliza principalmente uma promessa de amor eterno, devoção e lealdade.

    E aqui está o cerne da questão.

    É isso que eu cobiço, porque nunca tive. Nem fidelidade, nem amor, nem devoção, nem lealdade.

    Quando olho para as alianças dos outros, no fundo, o que quero saber é como será ser amada com devoção, lealdade e fidelidade.

    Reflexão e Encorajamento

    “Dói olhar para dentro”, dizia eu hoje a alguém. E este exercício doeu. Mas espero que, na próxima vez que vir uma aliança, o meu olhar seja mais breve do que o olhar de hoje.

    Porque, no fundo, não é o anel que importa, é aquilo que ele deveria significar. E talvez o mais importante não seja encontrar essa promessa nos outros, mas aprender a viver sem precisar dela.

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