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A minha amiga chamada Luz

    uma jovem a sorrir, com o mar e montanhas ao fundo

    Será que nesta vida só nos é permitido um amor de verdade?

    Falo daquele amor que é casa. Que é porto.
    O amor em que o outro é também o melhor amigo.

    Nunca experimentei isso com nenhum homem.
    Nenhum dos quase-amores da minha vida foi o meu melhor amigo.
    Mas tenho uma melhor amiga. Uma BFF.
    E é sobre ela que quero falar.

    O início

    Conhecemo-nos com vinte e poucos anos, numa formação.
    Foi quase amor à primeira vista.

    Ela era simpática, de riso fácil, olhos ternos. Quando se aproximava de mim a perguntar o que achava dos seus caracóis ou da saia, o meu coração enchia-se.
    Pensava: “Esta rapariga, que tem tudo, quer saber a minha opinião?”

    Na altura ainda não sabia que ninguém tem tudo no lugar. Nem ela. Nem eu.

    Formou-se um grupo de amigos e começámos a sair fora do contexto da formação.
    E até hoje, passados anos, continuamos a querer fazer parte da vida uma da outra.

    O meio

    Nem sempre concordamos. Mas aprendemos a concordar em discordar — e isso só é possível quando há respeito.
    Fomos observando o crescimento uma da outra. Às vezes mais perto, outras vezes mais distantes. Mas sempre presentes.

    Aquilo que mais admiro nela é a generosidade.
    Já a vi na rua, ao ser abordada por alguém a pedir esmola, levar a pessoa a um café e deixá-la escolher o que queria comer.
    Sim, esta é a minha amiga.

    Adoro a atenção que põe nos detalhes. Um embrulho, uma surpresa, um gesto inesperado.
    E é a minha Maria Pechinchas — ninguém tem tanto jeito como ela para encontrar bons negócios.

    Aquele sábado

    Hoje fui ver o mar.
    Enquanto olhava para a beleza da natureza, dei por mim a ver beleza na minha própria vida… por causa dela.

    No sábado passado, cancelei à última da hora o nosso date para celebrar o aniversário dela. Estava mal.
    E ela, com toda a paciência, cuidou de mim. Sem drama. Sem cobranças. Só presença.

    A minha linguagem de amor são actos de serviço. E naquele momento, senti-me profundamente amada.
    Penso que nem ela tem consciência do impacto que provoca.
    Quando se tem um coração de ouro, fazer o bem é regra. Nunca é exceção.

    Há coisas que não se conseguem pagar — nem com mil vidas.
    E há muito que sei que nunca conseguirei retribuir tanto amor.

    P.S: A minha amiga não se chama Luz.
    Mas, sem sombra de dúvida, é a luz que mais me inspira neste mundo de sombras.

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