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À Sombra dos Pesadelos

    um homem sentado na cama com os cotovelos apoiados nas pernas e as mãos a agarrar a cabeça. o quarto e escuro e entra um pouco de luz pela janela

    Quando as Memórias se Tornam Visitas Noturnas

    Esta noite, tive mais um pesadelo. Nada de novo. Já os conheço bem, são visitas que regressam em temporadas e com episódios. Quando fecho os olhos, eles despertam, como um Toy Story dos meus próprios pesadelos, onde não há monstros de mundos paralelos, mas apenas as cicatrizes que o tempo ainda não apagou. São traumas gravados no cérebro, que, ao contrário do meu corpo, parecem descansar de dia e despertar à noite.

    Curiosamente, não tenho medo de dormir — o receio maior é acordar. Esta noite sonhei com uma amizade que não terminou em paz, uma relação que, mesmo finda, continua a assombrar-me. No sonho, a mãe dessa pessoa confrontava-me, acusava-me injustamente. Acordei com a lembrança viva, com o peso da dor e do desespero de mais uma noite mal dormida. E já sei o que isto significa: um novo dia a tentar navegar o cansaço.

    Lembro-me da primeira psicóloga a quem contei o que se passava. Ela prometeu-me “cura”. Na altura, ri-me. E rio-me agora ao recordar o que aconteceu: receitou-me um aumento nos calmantes. Na altura, ainda frágil, segui as instruções. Só muito mais tarde percebi o quão errado aquilo era; o dever dela teria sido reencaminhar-me para a psiquiatria, e não usar o meu sofrimento para marcar mais uma consulta.

    Mas, se recuar até ao início destes pesadelos, foi há cerca de quatro anos, no último ano antes da minha separação. Plena pandemia, esse ano foi devastador para a minha saúde mental. Na altura, o meu parceiro já tinha confessado o vício que tentava superar, mas a promessa de recuperação nunca me trouxe serenidade. Cada vez que ele saía para trabalhar, a ansiedade ocupava o meu dia. Só conseguia adormecer depois dele dormir, como se isso me desse uma falsa sensação de segurança — afinal, adormecido, estava longe do vício.

    Já não me lembro dos primeiros pesadelos, mas recordo o tema: sempre ele.

    Uma Reflexão e um Encorajamento

    Hoje escrevo estas palavras como uma reflexão, mas também como um encorajamento. Cada um de nós carrega sombras e, em alguns casos, essas sombras aparecem à noite, entre sonhos. Reconhecer que os traumas do passado ainda nos visitam pode ser doloroso, mas ignorá-los é um convite para que continuem. E tentar lidar com tudo sozinho nem sempre é o caminho certo.

    Se esta experiência ressoa contigo, se as tuas noites são assombradas por pesadelos que parecem não ter fim, procura ajuda especializada. Não é fácil, e sim, por vezes encontramos obstáculos. Mas não desistas. Há profissionais que podem realmente ajudar. Cuida de ti e fala com o teu médico sobre o que estás a viver.

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