Que comecei a estudar sobre relacionamentos
Na altura, havia fumo no meu casamento, mas eu ainda não conseguia ver onde estava o fogo. No verão desse ano, ele fez algo que me deixou profundamente envergonhada perante outras pessoas. Esse sentimento de vergonha foi o ponto de viragem, o que me levou a questionar a mim mesma e a ele. E foi então que cheguei à conclusão dolorosa: a nossa relação não estava bem.
Como boa estudante de humanidades, comecei pelos livros. Li e reli um após o outro. O primeiro livro, que abordava a comunicação, só agravou a situação. Começámos a expressar as nossas insatisfações, a atribuir culpas, a revelar ressentimentos acumulados. Foi devastador ouvir a lista de queixas que ele tinha contra mim. Até aquele momento, eu tinha-me esforçado tanto para corresponder a expectativas que, hoje percebo, eram abuso e manipulação.
Queria sexo todos os dias. Chegámos a um “acordo” de dia sim, dia não. Eu, numa tentativa desesperada de agradar e cumprir metas desumanas impostas pela sociedade, acreditava nas vozes que diziam: “se ele não estiver satisfeito, vai trair-te, e com razão”. Que estranha forma de vida, cantaria Amália.
Nesse fatídico ano, o meu sacrifício chegou ao fim. Bati o pé e disse: basta. Não, não vou continuar a ceder a exigências egoístas, quando tu não és capaz de fazer o mínimo por mim.
Este padrão de comportamento já se revelara durante o namoro, mas na altura eu não tinha as ferramentas para entender que aquilo não era normal. Ele era o meu primeiro namorado, e achava que o amor era assim. Todos os nossos passeios terminavam com a obrigação de sexo e, quando não acontecia, ele olhava para mim com raiva. Nunca foi amor.
Se te encontras numa situação semelhante, nunca te esqueças que não estás sozinha, nem sozinho. Há apoio disponível para ti. Deixo aqui a linha de apoio da APAV – Associação Portuguesa de Apoio à Vítima:
Número: 116 006
Reflexão e Encorajamento:
Às vezes, a nossa maior força vem de reconhecermos a nossa própria vulnerabilidade. A vida nem sempre corre como desejamos, e o que está fora do nosso controlo não define quem somos. Lembra-te, a tua essência é suficiente, e o teu melhor é sempre o bastante. Acolhe-te com carinho, tal como farias com a tua criança interior, e lembra-te: independentemente dos desafios, estás a fazer o melhor que podes. E isso é tudo o que importa.
