Quando o passado continua a ser alimentado por quem devia estar do meu lado
O que é amar, afinal?
Diz-se que o amor verdadeiro não humilha, não se aproveita, não se faz de vítima. Não se alimenta da mentira, nem se cala diante da injustiça. Fica do lado da verdade — mesmo quando custa.
Tenho pensado muito no que significa amar. A teoria das linguagens do amor, de Gary Chapman, diz que cada pessoa comunica amor de forma diferente — através de palavras, tempo de qualidade, toque, atos de serviço ou presentes. A minha forma de amar cruza atos de serviço e ofertas simbólicas. Mas não são prendas pelo valor. O que conta é a intenção, o cuidado, o gesto. Por isso, para mim, amar é cuidar — com presença, atenção e verdade. E quando não há isso, não há amor.
Quando a família é só um nome
Ontem percebi, mais uma vez, que há pessoas que dizem ser família, mas estão a torcer pela equipa oposta. O amor que afirmam ter por mim — se é que alguma vez existiu — nunca se notou. Abraços pouco sentidos, palavras vazias. Amar é agir. E estas pessoas nunca souberam fazer isso.
Descobri uma mentira que já leva quatro anos a ser mantida. Ontem, acrescentaram mais uma. Só que desta vez, uma fotografia veio mostrar a verdade. E claro — ninguém teve coragem de falar comigo. Talvez seja melhor assim. Porque há limites. E quando esses limites são ultrapassados, não sobra nada. Só dor, tristeza e um cansaço que me seca por dentro. Já nem tenho vontade de voltar a falar nisto. Para quem só pensa no seu próprio bem-estar, fica claro: o meu nunca foi prioridade.
Eles ficaram com o inimigo
Continuam em contacto com a família do meu ex-marido. Sempre deixei claro o quanto isso me magoa. Nunca quiseram ouvir. Nunca quiseram entender.
Nunca perceberam — ou fingiram não perceber — o que essa pessoa me fez. Talvez achem que a culpa foi minha. Sinto que estão com ele, e não comigo. E o mais duro é isto: eu acredito que ele é como é por ter vindo de uma família disfuncional. Mas para eles está tudo bem. Fingem que não vêem. Fingem que não sabem.
E depois, o pensamento volta para ele
Na cabeça deles, eu sou a ET da família. Sempre fui. Sempre serei. A ovelha negra, aquela que “só se lembra das coisas más”.
Pois bem — esta ET agora tem a ferida aberta de novo.
Olho para o peito e vejo a linha recta do lugar onde a dor se instalou.
E o que estas pessoas não conseguem perceber é que ver, ouvir falar, ou simplesmente saber que ele ainda anda por perto, ainda ligado à minha história, é como uma pancada seca no estômago. Faz-me lembrar que escolhi mal. Que fui enganada. Que me mentiram com todas as letras.
E depois vem o pior: dou por mim a pensar nele. A querer saber como está. A comparar. A ter medo de descobrir que está melhor do que eu. Que já tem a casa e a família que me negou. Que anda por aí a conduzir o carro que eu escolhi — e que ainda me faz suspirar quando vejo um igual na estrada. E penso: será que a maldade foi recompensada com felicidade?
O que me aterra é saber que estas pessoas que me rodeiam talvez saibam a resposta. Porque continuam a manter laços com o passado que me destruiu.
E eu? Fico aqui.
A sentir-me um fracasso.
Uma vergonha.
Uma perdida.
Desamparada.
Só.
