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O Som do Silêncio

    Mulher adulta sozinha numa praia à noite, a segurar um telemóvel com o ecrã apagado, olhando para o mar.

    Sim, hoje há música — e da boa. Gosto muito desta música, mas não da ‘música’ que me deram.

    Hoje é dia de falar de uma língua morta que, no entanto, continua viva: o silêncio. Suspeito que seja a língua dos fantasmas, mas já lá vamos.

    Regra geral, os silêncios começam ao fim de semana. Com a mudança de rotinas chegam de mansinho, uns mais curtos, outros mais compridos. Normalmente, o início de uma nova semana de trabalho é o momento crucial: é quando os silêncios se fazem ouvir. “Fale agora ou cale-se para sempre”… e muitos calam-se de repente. Outros optam por um desmame progressivo. Contudo, no fim, todos têm o mesmo nome.

    Já adivinharam? Não? Mais pistas? É um velho conhecido — meu, pelo menos. O nosso “amigo” Ghosting. Ando a falar com fantasmas… e é mesmo de arrepiar.

    O Ghosting complica o que podia ser simples: dizer “não quero continuar”. Porque escolhem o corte? Para não lidar com o drama dos outros? Para não fechar completamente a porta?

    O que não percebem é que o silêncio é mais cruel do que um adeus. Porque o meu cérebro quer sempre tudo bem explicadinho e transforma-se em tortura preencher o espaço que o silêncio deixou. Fico a olhar para o telemóvel, mas não há sinal de vida — só de morte. De mais uma esperança assassinada na praia. A maré ainda lava o sangue e as provas de mais um crime.

    bell hooks lembra-nos: “A honestidade e a abertura são sempre a base de um diálogo verdadeiro.” O silêncio, pelo contrário, não constrói diálogo algum. Não é amor, não é cuidado, não é respeito. É apenas a escolha mais fácil para quem não quer enfrentar a verdade.

    Reflexão
    Se já passaste pelo silêncio do ghosting, lembra-te: isso não define o teu valor. Define apenas a incapacidade do outro em lidar com a verdade. Não é sobre ti — é sobre a falta de coragem alheia. Procura quem fale contigo em voz clara, mesmo quando a resposta não é a que queres ouvir. Porque como lembra bell hooks, o amor só existe quando há diálogo verdadeiro, e esse começa sempre com honestidade e abertura.

    Referências

    • hooks, bell (2000). All About Love: New Visions. New York: William Morrow.
    • hooks, bell (2002). Communion: The Female Search for Love. New York: Harper Perennial.
    • hooks, bell (2001). Salvation: Black People and Love. New York: HarperCollins.
    • Simon, Paul & Garfunkel, Art (1965). The Sound of Silence. Álbum: Sounds of Silence. Columbia Records.

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