Skip to content
Início » Blog » Pesadelos eróticos (e outras coisitas)

Pesadelos eróticos (e outras coisitas)

    uma mulher na cama com os olhos abertos e um olhar triste

    Sonhei com o meu ex. E não, não é saudade.

    Foi mais uma noite, mais um episódio da série “O meu inconsciente a pregar-me partidas”.
    Sonhei com o meu ex-marido. Um pesadelo erótico. Sim, leram bem. Pesadelo.
    E sim, são recorrentes. Diria uma vez por mês, mais ou menos.
    Já deviam ter parado? Talvez. Mas não me deram ainda alta emocional — nem eu fui buscá-la como devia.

    A culpa é da psicoterapia (ou da falta dela)

    O ano passado fui encaminhada para continuar a psicoterapia, mas por motivos de força maior (leia-se: a vida a acontecer como sempre), não foi possível.
    E é por isso que estes sonhos continuam aqui, fiéis, como contas que ficaram por pagar.

    Esta noite, mais uma vez:
    falei com ele, saí com ele, fui a casa dele, vi o irmão, vi a mãe — a ex-sogra estava chateada comigo porque eu, veja-se o descaramento, não queria voltar.
    E no meio disto tudo, claro… sexo. Porque o inconsciente gosta de misturar tudo num só molho.

    A análise possível (com alguma paciência e uma dose de sarcasmo)

    Este sonho não é sobre ele. Já sei isso.
    É sobre mim.
    Sobre a parte que teve de aceitar o fim sem explicações, sem fecho, sem justiça.
    Sobre a parte que teve de reconstruir tudo sozinha, enquanto ele seguia como se nada fosse.

    Sim, este capítulo está fechado.
    Por decisão minha.

    Como diz a psicóloga

    “Às vezes, o nosso inconsciente sonha com a reconciliação não porque quer voltar, mas porque quer ser visto, reconhecido, valorizado.”

    A ex-sogra (claro que aparece)

    No sonho, ela estava indignada comigo.
    Aparentemente, continuo a dever satisfações a toda a família.
    É o padrão clássico: sentir-me responsável por tudo.
    Lá estava ela, com o seu olhar reprovador, enquanto eu tentava ser racional num guião que já não é meu.

    E o sexo? Vamos falar disso

    Não, não é desejo literal.
    Mas, o desejo de presença emocional. Desejo de me sentir viva, desejada, inteira.

    Pamela explica bem:

    “O sonho erótico fala de potência. Fala do quanto você está precisando se sentir viva, desejada, inteira.”

    E eu sinto mesmo isso.
    Mas o sonho trouxe também culpa. Porque sim, ainda me sinto mal por não ter superado tudo isto mais rápido.
    Como se houvesse um prazo de validade para digerir traumas.

    As vozes que me ajudam a pensar

    bell hooks, em All About Love, escreveu:

    “O que muitas vezes chamamos de amor é, na verdade, uma profunda necessidade de sermos vistos.”

    E eu? Eu ainda quero ser vista.
    Não por ele.
    Mas por mim. Por quem me rodeia. Por quem escolher entrar agora.
    Essa parte de mim, que continua à espera de um tipo de validação que já devia ter deixado para trás — mas ainda está cá.

    E depois há Gail Dines, que acerta sempre onde dói:

    “A cultura romantiza a dor feminina. Ensina-nos que sofrer por amor é prova de amor.”

    E depois admiram-se que o meu inconsciente continue a mandar sinais em forma de sonho erótico com trama familiar.

    Conclusão (a que dói, mas é minha)

    Sobrevivi.
    Mas fiquei sem fecho.
    E essa foi a parte mais difícil para mim.

    Sim, tenho que voltar à psicoterapia.
    Não para entender o sonho.
    Mas para cuidar do que ainda vive cá dentro.
    Da parte que quer paz. Da parte que ainda sonha — e não no bom sentido.

    Reflexão final

    Sonhar é sinal de que ainda estou viva.
    E, apesar de tudo, pronta para seguir.
    Sem me julgar.
    Sem me calar.
    Sem carregar sombras que não são minhas.

    Fontes:

    Magalhães, Pamela. Psicóloga e psicanalista. Frases partilhadas nas redes sociais.

    Gail Dines, socióloga. Ideia partilhada em entrevistas e redes sociais, inspirada na obra Pornland: How Porn Has Hijacked Our Sexuality (2010).

    Deixe um comentário

    O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

    Resumo da Privacidade

    Este site utiliza cookies para te proporcionar a melhor experiência possível. As informações dos cookies são guardadas no teu navegador e permitem, por exemplo, reconhecer-te quando voltas ao site e ajudar a nossa equipa a perceber quais as secções que consideras mais úteis e interessantes.

    Cookies estritamente necessários

    O cookie estritamente necessário deve estar sempre ativado para que possamos guardar as tuas preferências de configuração de cookies.