Em mil novecentos e noventa e sete escrevi um poema — uma recordação doce de um ano cheio de mudanças. Tirei a carta de condução, passei nos exames nacionais e o corpo acusou o stress com um ciclo menstrual desgovernado. Entrei na Universidade do Minho, mudei-me para Braga e, pela primeira vez, senti a alegria de ser apenas eu.
Foi um ano intenso, mas este poema ficou como prova. É uma das minhas criações mais queridas. Sempre que o releio, ouço ali algo que vem de dentro — uma beleza simples, uma luz que desperta os sentidos e aquece o coração.
E não, não é “Brasa”.
Por isso, deixo-vos com o meu poema.
Poema Vivo
Este é um poema
Que dedico a ti
Esta é uma melodia
Que brota de mim
Porque sabes soberano
Tu és o meu poema
A minha melodia
O meu campo
A minha flor
Porque eu sou
Uma borboleta branca
E tu és
O meu criador
Porque eu voo
Voo para ti
É um poema
que dedico
a quem amo
É um poema
Que vivo e canto
És o poema
Que espero
O voo mais alto
A flor mais excelente
O meu prado, meu bosque
Minha floresta
A minha casa.
