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Porque Ninguém Fica?

    as duas mãos de um homem com água a escorrer pelos dedos

    Ninguém fica. Esta frase ecoa muitas vezes na minha cabeça. Num mundo onde as mensagens vão e vêm, cheias de promessas virtuais, tudo parece tão efémero. Mas porque é que ninguém fica?

    Talvez a resposta esteja na própria música que escrevi recentemente:

    “E as mensagens vão e vêm,
    Mas ninguém fica, ninguém tem
    Coragem para olhar e ver,
    O que há para além do que não quer saber.”

    De facto, vivemos num tempo em que poucos têm a coragem de olhar para além das aparências, de enfrentar o que está escondido debaixo dos filtros e das máscaras. Tudo é tão rápido, tão descartável. Na era dos “likes”, o amor parece precisar de Wi-Fi para funcionar.

    Expectativas Irreais, Resultados Vazios

    Lembro-me de ter assistido ao programa The Later Daters, na Netflix. Uma cena ficou comigo: um homem de mais de 50 anos dizia à dating coach que procurava uma “Penélope Cruz”. A coach, com toda a delicadeza, explicou que, na sua faixa etária, talvez fosse mais sensato pensar no que procurava numa mulher para além da aparência física.

    No entanto, o desfecho foi previsível. O homem não conseguiu impressionar nenhuma das suas parceiras nos encontros que teve. Num deles, foi convidado para um primeiro encontro a fazer ski aquático. Enquanto ela, em grande forma, dominava o desporto, ele mal se conseguia equilibrar. No outro encontro, com uma mulher de sucesso e muito focada na carreira, ele simplesmente foi ignorado.

    Foi embaraçoso de assistir, mas também profundamente revelador. As expectativas irreais, combinadas com a incapacidade de corresponder, acabam por ser a receita do fracasso.

    E o que vejo neste homem de 50 anos é algo que transcende gerações. Expetativas surreais, sem entrega, sem esforço. Parece que ainda há quem acredite que as mulheres vão ficar à espera que os “meninos” resolvam a sua vida.

    Porque Ninguém Fica?

    As respostas são várias, e muitas vezes olhamos apenas para o outro, mas também temos de nos questionar.

    Eu não fico. Não fico com quem não tem tempo, com quem não tem coragem de ser vulnerável, com quem não é recíproco, com quem não entrega nada além de palavras vazias.

    A realidade é que muitos querem muito, mas não têm nada para dar.

    Por outro lado, existem também aqueles que não sabem como ficar. Têm medo da entrega, da vulnerabilidade, do compromisso. A coragem de sermos vulneráveis é o que nos liga verdadeiramente aos outros. Mas essa coragem exige esforço, exige despir as máscaras e enfrentar os próprios medos.

    Reflexão e Encorajamento

    Se também te perguntas porque ninguém fica, a resposta pode estar em dois lados: no outro, que não sabe ou não quer dar mais, e em ti, que talvez estejas a exigir de quem não tem capacidade para entregar.

    As relações modernas vivem num paradoxo: queremos liberdade e individualidade, mas ansiamos por intimidade e conexão. Para que alguém fique, ambos os lados precisam de compromisso e vontade de crescer juntos.

    O que fazer, então? Define o que queres, mas também o que tens para dar. Não te acomodes ao mínimo. Se te custa ficar calada ou calado, fala. Se te custa ser vulnerável, tenta. E não aceites menos do que mereces.

    Porque, no final, não se trata apenas de encontrar alguém que fique. Trata-se de construir uma relação onde ambos queiram estar.

    E tu? Estás a dar o que esperas receber?

    Fonte:

    Série documental “The Later Daters”, Higher Ground Productions, a produtora de Michelle e Barack Obama, Netflix.

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