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Porquê um amor para chamar de meu?

    uma mulher encostada a uma parede, sentada no chão com as mãos cruzadas sobre os joelhos, com uma expressão triste

    Ainda me dói. Ainda me assusta. 20 dias sem apps de encontros. 20 dias de silêncio. E sim, tenho resistido. Tenho feito o que o meu coração me pediu: “Não quero mais dor.”

    Mas isto não é uma história inspiradora com final feliz. Ainda não. Nem tudo são rosas. Ou se calhar até são — e eu estou na parte dos picos.

    Decisão com peso e raízes

    A decisão que tomei não foi leviana.
    Carrega camadas e mais camadas.
    Na prática, significa isto: quase desistir de ter esperança no amor.
    Sim, é isso que custa mais admitir.

    Sou introvertida.
    Com uma pitada de transtorno de personalidade esquiva, se quisermos usar rótulos.
    Conhecer alguém exige de mim um esforço imenso. Preciso de me preparar emocionalmente, abrir espaço, baixar a guarda.

    E isso? Quase nunca acontece por acaso.
    Se não estou online, desapareço.
    No modo offline, sou inacessível.
    Defendo o meu espaço como quem defende a própria vida. Porque, para mim, é isso mesmo.

    Nunca ninguém forçou entrada

    Nunca houve um homem que tivesse tido coragem de insistir.
    Quem entrou, foi porque eu deixei a porta aberta.
    Como diz o Bruno Mars: “I’mma leave the door open.”
    Sim, fui eu que deixei.
    Mas também fui eu que fechei.
    E agora estou aqui, neste limbo. A sentir tudo, a racionalizar tudo — e a tentar não fugir de mim.

    O luto do amor invisível

    Estou de luto. Não só do amor que não chegou. Mas daquele que não pôde ser.
    Do amor que era segredo. Do “shhh… ninguém pode saber”.
    Aquele amor clandestino, que me fazia sentir ainda mais invisível.

    Higiene emocional

    Já lá vão mais de 20 dias sem lavar o cabelo.
    Não por desleixo. Por sintoma.
    Quando o emocional falha, o físico dá sinal.
    A higiene, o apetite, a atenção — tudo leva por tabela.

    Faz parte do luto. E é real.
    É sobre o corpo a carregar o que a mente ainda está a tentar organizar.

    Sem apps. Só eu.

    Se quero continuar longe das apps, tenho de fazer este trabalho.
    Falo de perceber porque continuo à espera de alguém que nunca chegou.
    E de parar de procurar lá fora o que só eu posso decidir dar-me.

    “Raquel, o que procuravas afinal?”

    Ser vista.
    É só isso.
    Não é tão simples como parece — mas também não é mais complicado do que isso.

    bell hooks escreveu:

    “Aprendemos a negar a dor antes de sabermos como reconhecê-la.”
    (Salvation: Black People and Love)

    E eu? Estou a tentar reconhecê-la.
    Devagar. Com tudo o que isso implica.

    Reflexão final

    Hoje não quero respostas.
    Quero só continuar a fazer perguntas.
    Quero sentar-me comigo.
    E não fugir para um like qualquer, de um desconhecido qualquer, só porque é mais fácil do que sentir.

    Hoje, quero dar a mim aquilo que andei anos a implorar nos olhos dos outros.

    E tu? Já te viste hoje?

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