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Três Anos de Solidão (Que Parecem Trinta)

    uma mulher com uma chave na mão a tentar abrir uma porta fechada

    Três anos. Não trinta. Mas, sinceramente, a sensação não anda longe. Três anos de erros disfarçados de tentativas, de portas fechadas (e algumas entreabertas que nunca deram em nada), de recomeços, de buscas intermináveis e, acima de tudo, de muito material para futuras memórias traumáticas ou, quem sabe, um livro.

    No meio disto tudo, encontrei-me a mim. O que, convenhamos, já não é mau. E descobri que sou curiosa! Sorrio. Olha, essa não sabia! Mas vá, fico contente com a descoberta.

    Três anos de apps de encontros. Sucesso? Nenhum. Ou, se quisermos ser mais positivos, posso dizer que cada fracasso foi uma grande lição de vida. Suspiro. Só me falta ir para as danceterias (rio), mas acho que ainda não cheguei a essa faixa etária (penso eu). E dançar nunca foi o meu forte, diga-se de passagem.

    Foi preciso chegar à idade adulta para perceber que não gosto de namorar. Calma, não é bem assim… não gosto dos começos. No meu mundo ideal, saltava diretamente para dentro de um relacionamento maduro, funcional, onde já existe um equilíbrio perfeito. Gostava de voltar atrás e avisar a minha versão adolescente:
    “Menina, essas paixões platónicas em que vives, cheia de suspiros e sonhando acordada, são pura perda de tempo! Vai fazer alguma coisa útil da vida e sê feliz!”

    Quando saí do meu casamento, pensei que nunca mais queria saber do bicho mau que são os homens. Vida de celibato, amém! Mas eis que o corpo resolveu ter uma opinião própria. Como assim? Eu não pedi isto! Ai de mim!

    Primeira fase da tragédia: perguntei a uma amiga se tinha amigos solteiros.
    — “Tenho, sim! Olha, são estes.”
    E assim começou o festival do embaraço, a tour do “o que raio estou eu a fazer aqui?”. Saí da minha zona de conforto e fui à procura de conhecer estas criaturas. Resultado? Figura de parva.
    Desesperada? Talvez. Oops! Lá estou eu outra vez… Quis dizer experiência de aprendizagem.

    Segunda fase do pesadelo: descobri o maravilhoso mundo das apps de encontros. No meu tempo — ou melhor, no tempo dos dinossauros da internet — não havia nada disto. No entanto, ironia das ironias, conheci o meu ex-marido online, numa app dentro de outra app. Devia ter aprendido a lição? Devia. Mas cá estou eu, como uma louca, a repetir os mesmos erros e a esperar resultados diferentes.

    Agora fui mazinha comigo própria. Vá, abraça-te antes que isso te cause mais um trauma. (Pronto, vou ter de avisar a IA que isto é ironia, senão ainda me apaga o texto).

    A psicóloga sugeriu um hobby em grupo. Eu, obediente, procurei. O problema? Parece que só os séniores é que têm tempo para essas coisas. Criaturas desejáveis? Zero. Desmotivação? Check.

    Por um triz que não fui stalker de um pobre coitado. A Baby Reindeer cá do sítio. Se calhar foi por isso que não gostei da série…

    E, por fim, a grande revelação: não posso obrigar ninguém a gostar de mim.
    Se pudesse, já tinha tratado do assunto.

    Reflexão e Encorajamento (Sim, Ironia Incluída)

    Bom, Raquel, então e agora? O que fazer com esta brilhante sequência de aprendizagens?

    1️⃣ Primeiro, aplaude-te. Sim, aplaude-te! Três anos disto e ainda não desististe. É preciso coragem para continuar nesta selva emocional sem te transformares numa eremita.

    2️⃣ Segundo, ri-te. Rir é um ótimo mecanismo de defesa. Melhor do que chorar a ouvir fados às três da manhã.

    3️⃣ Terceiro, aceita que o erro também é entretenimento. Se não serviu para encontrar o tal, pelo menos já tens histórias para contar.

    4️⃣ E, por fim, lembra-te: não és tu que não tens sorte. O mundo do online dating é que é uma experiência sociológica disfarçada de busca amorosa. E, sinceramente, estás a sobreviver-lhe melhor do que muitos.

    Agora vai, põe um batom bonito e enfrenta mais um dia. Porque se for para continuar nisto, pelo menos que seja com estilo.

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