Ontem adormeci a chorar e hoje acordei com uma dor no coração.
Às vozes críticas, dentro e fora de mim, digo: não. Não, não tenho qualquer prazer em revisitar um passado cheio de traumas que ainda me doem. Se fosse tão simples como perdoar ou esquecer, já estaria ultrapassado. Mas não é. A quem prega positividade tóxica, digo: não. Não te atrevas a descartar a minha dor, os meus sentimentos, só porque preferes ser feliz ou não queres sentir tristeza por causa de mim. Isso é fácil. Reconhecer a dor de alguém exige coragem.
Não foi apenas por ontem, e nunca é. Mas nestes últimos dias tenho vivido experiências que me transportam para uma dor maior, uma que está sempre presente: a realidade de não ter um lar, um espaço meu, um lugar seguro. Viver em insegurança é desgastante, e estar sempre em estado de alerta é simplesmente exaustivo.
Por isso, ontem, quando assisti a uma atitude que me magoou e ouvi palavras que soaram como críticas, chorei. Não foram gritos nem soluços, foram aquelas lágrimas do silêncio, que descem em cascata pelo rosto, tocam nos lábios e sabem a mar.
