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Sexo

    uma mulher num quarto só com a luz de um candeeiro de mesa a olhar para o telemóvel com uma expressão tensa na cara

    Intimidade e Rótulos Modernos nos Encontros Online

    Na era dos encontros online, onde aplicações como o Bumble oferecem cada vez mais opções de escolha, a linguagem que descreve intenções românticas ou sexuais tornou-se vasta e variada. No entanto, alguns destes rótulos fazem-me questionar a nossa sociedade e as suas escolhas. Entre as descrições que surgem frequentemente, encontramos expressões como “intimidade sem compromisso” e “não monogamia ética”. Para mim, estes termos são o reflexo de uma crescente complexidade, mas também de um certo afastamento daquilo que realmente estamos à ​procura.

    Vem-me à cabeça a música dos The Killers, onde o refrão questiona: “Are we human, or are we dancer?”. Para mim, a questão é outra: somos ainda animais racionais, ou estamos a cair cada vez mais na irracionalidade? Eu respeito a liberdade de escolha dos outros, mas sinto também que tenho o direito de expressar as minhas próprias opiniões e reflexões. Como qualquer pessoa, tenho as minhas emoções e uma visão sobre o que considero coerente ou contraditório.

    A Intimidade sem Compromisso: Um Contrassenso?

    Um dos termos mais contraditórios, na minha opinião, é “intimidade sem compromisso”. Intimidade, pelo seu significado mais profundo, implica proximidade, ligação emocional e um conhecimento íntimo do outro. Este tipo de ligação vai além do físico — é uma construção mútua que exige confiança e, inevitavelmente, algum tipo de compromisso, ainda que implícito.

    Reduzir a intimidade ao mero ato físico parece-me uma simplificação que trai a essência da palavra. Em vez de “intimidade sem compromisso”, seria mais honesto descrever esta busca como “sexo sem compromisso”. Pelo menos, seria claro e direto quanto ao que realmente se procura, sem desvirtuar um conceito que representa uma das formas mais profundas de conexão humana.

    Não Monogamia Ética: Poligamia com Novo Nome?

    Outro conceito que me deixa a pensar é a chamada “não monogamia ética”. Para muitos, esta expressão traz consigo um tom moderno e até algo sofisticado, mas eu pergunto: não será esta uma prática já antiga? Sociedades onde a poligamia é aceite não são novidade; desde África até ao Médio Oriente, este tipo de relação faz parte de culturas que se mantêm até hoje. Em Portugal, onde a poligamia é ilegal, esta “não monogamia ética” soa-me como um novo nome para algo já bem conhecido.

    É interessante observar como este termo tenta acrescentar uma camada de “ética” a uma prática que, culturalmente, para muitos, já tem as suas próprias regras e moralidades. Pergunto-me se estamos realmente a inovar ou apenas a reciclar ideias antigas sob novos rótulos, tentando legitimá-las numa sociedade cada vez mais avessa a rótulos fixos. Como cantam os Radio Macau: “já não há nada de novo aqui debaixo do sol”.

    Reflexão Final

    Estas são algumas das reflexões que a linguagem dos encontros online me desperta. Num mundo onde os rótulos proliferam e se multiplicam, pergunto-me se não estamos a complicar em demasia o que, no fundo, todos procuramos: clareza, respeito e uma verdadeira ligação. E isto, sim, exige honestidade — mesmo que, para isso, seja preciso pôr de lado alguns destes rótulos “sofisticados”.

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