No princípio era a rejeição, e a rejeição estava com o desprezo, e a rejeição era o desprezo.
Palavras fortes, eu sei… A rejeição é a minha ferida que nunca fecha, a dor que nunca passa, o sentimento que não consigo deixar ir. Por mais teoria que aprenda, por mais práticas que aplique. A rejeição dói sempre, e acho que vai doer sempre, deste lado do céu. Esta é uma das minhas sombras.
Sempre que escurece, dói. Sinto-me pequena, minúscula, ferida, desprezada, desconsolada. Nessas alturas, apetece-me logo fazer uma “pity party”. Mas agora, depois de mais um ano de psicoterapia, reconheço as sombras e trago para fora as ferramentas que aprendi. E então pergunto-me: Porquê? Por que me sinto rejeitada? Porque ele não me vê…
Todos nós, seres humanos, precisamos de ser aceites e vistos. É uma das nossas maiores buscas, talvez a maior. E como é difícil entender que alguém possa olhar para mim e não me ver. Então, lembro-me da teoria: as pessoas só conseguem ver o que está à frente delas através das suas próprias experiências. Interpretamos o que nos rodeia com os nossos próprios óculos, e esses óculos, por vezes, estão “sujos” de preconceitos e pré-conceitos.
Hoje, ao olhar para esta sombra, tento acolhê-la. Ela faz parte de mim, mas já não tem o mesmo poder. Aprendi a dar-me a aceitação que busco nos outros. Afinal, sou bem visível para mim mesma, e isso é o mais importante.
