Hoje voltei ao café onde fui rejeitada pela última vez.
Ele lá estava, na sua mesa do costume.
Já eu fui para a outra ponta do espaço.
Mesmo ali, dois outros olharam para mim — mas não aquele que eu escolhi.
Por mais incrível que pareça, ainda tinha esperança.
Esperança de quê? E porquê?
Por carência. Por ego ferido. Como uma espécie de vingança absurda que não leva a lado nenhum.
E como quem se castiga sozinha, voltei às apps. Um regresso triste, de quem queria ser capaz de fazer melhor. Por mim mesma.
Foi em Maio o último date. Como já escrevi antes, passaram-se dois meses. Dois meses em que o outro se comprometeu com alguém. E eu? Eu descobri que dois meses é o meu limite de abstinência emocional.
Parecem vinte.
Em Junho ainda tentei puxar conversa com um velho amigo, mas a coisa morreu ali.
Depois este último. Nada.
Olho para o telemóvel aqui ao meu lado, em cima da secretária, e penso:
Que dramas virão desta vez?
Erich Fromm escreveu algo que resume isto melhor do que eu:
“A solidão é a experiência da separação do mundo. O isolamento é o que leva o indivíduo a procurar qualquer ligação, mesmo falsa.”
— O Medo à Liberdade (1941)
E é isso. Nem sempre é desejo. Muitas vezes é só desespero disfarçado de vontade.
Eu sei que não é amor. Mas às vezes parece. E o corpo acredita. E o ego também.
Continuo a tentar sair.
Mas a verdade é esta:
enquanto o vazio gritar mais alto que o bom senso,
vai haver sempre uma app, um café, um quase.
