A Mulher Invisível da Marvel não tem sombra — pelo menos quando está invisível.
Eu, por outro lado, vivo em estado de sombra.
Carrego esta dor invisível que ainda não aprendi a deixar ir.
Talvez seja o sentimento mais constante em mim — o “síndroma da mulher invisível”.
Pergunto-me: será que existe mesmo?
E sim, existe.
Segundo o Gemini, “o conceito de mulher invisível não é um diagnóstico médico, mas uma expressão simbólica do sentimento de desvalorização e da falta de reconhecimento do contributo feminino — no trabalho, em casa e na sociedade. As mulheres sentem-se ignoradas e apagadas devido a fatores sociais e ao envelhecimento. Uma realidade dolorosa.”
Dolorosa é mesmo a palavra.
Mas esta dor, esta percepção de não ser vista, é antiga. Vem da infância — e, no fundo, não é a infância o início de tudo?
É como se olhassem através de mim, e não para mim.
Quando a teoria não basta
Eu sei a teoria: autocuidado, amor-próprio, fronteiras, amor consciente.
O meu cérebro sabe.
Mas a dor não obedece à razão.
E é aí que a sombra volta — quando a cabeça entende, mas o coração ainda sangra.
De mim para mim
A necessidade de seres vista é humana, não é fraqueza.
Durante muito tempo confundi isto com carência — e carreguei culpa por precisar de ser reconhecida.
Mas querer ser vista é querer existir.
O primeiro passo para seres vista é começares a ver-te a ti própria.
É duro admitir que, tantas vezes, fui eu a primeira a olhar para mim com desdém.
O “não me vês” é o meu grito mais silencioso.
Porque a invisibilidade também se aprende — e eu aprendi bem.
Aprendi a estar presente sem ocupar espaço, a ouvir sem ser ouvida, a amar sem ser escolhida.
Ver-me.
É só isso.
Mas às vezes é o mais difícil.
Ainda assim, é o início de tudo — o ponto de retorno, o lugar onde a sombra começa a dissipar-se.
📚 Fontes e referências
- Marshall Rosenberg — ideias sobre necessidade de reconhecimento, empatia e comunicação autêntica (base da Comunicação Não Violenta).
- Eva Illouz — conceitos sobre invisibilidade emocional e reconhecimento nas relações modernas, especialmente nas suas análises sobre o amor e o valor simbólico do olhar do outro.
- Débora de Menezes — reflexões sobre a mulher madura e o sentimento de invisibilidade social, presentes no seu trabalho sobre autoestima e envelhecimento feminino.
- Gemini (Google AI) — citação sobre o conceito simbólico de “mulher invisível” e a sua ligação à desvalorização e ao envelhecimento.
