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A sombra da mulher invisível

    Mulher adulta em pé junto a uma janela ao entardecer, com metade do rosto na luz e metade na sombra. A sua sombra projeta-se na parede atrás, maior e ligeiramente distorcida, sugerindo a sensação de invisibilidade emocional e de não ser vista, apesar de estar presente.

    A Mulher Invisível da Marvel não tem sombra — pelo menos quando está invisível.
    Eu, por outro lado, vivo em estado de sombra.
    Carrego esta dor invisível que ainda não aprendi a deixar ir.

    Talvez seja o sentimento mais constante em mim — o “síndroma da mulher invisível”.
    Pergunto-me: será que existe mesmo?

    E sim, existe.
    Segundo o Gemini, “o conceito de mulher invisível não é um diagnóstico médico, mas uma expressão simbólica do sentimento de desvalorização e da falta de reconhecimento do contributo feminino — no trabalho, em casa e na sociedade. As mulheres sentem-se ignoradas e apagadas devido a fatores sociais e ao envelhecimento. Uma realidade dolorosa.”

    Dolorosa é mesmo a palavra.
    Mas esta dor, esta percepção de não ser vista, é antiga. Vem da infância — e, no fundo, não é a infância o início de tudo?

    É como se olhassem através de mim, e não para mim.

    Quando a teoria não basta

    Eu sei a teoria: autocuidado, amor-próprio, fronteiras, amor consciente.
    O meu cérebro sabe.
    Mas a dor não obedece à razão.
    E é aí que a sombra volta — quando a cabeça entende, mas o coração ainda sangra.

    De mim para mim

    A necessidade de seres vista é humana, não é fraqueza.
    Durante muito tempo confundi isto com carência — e carreguei culpa por precisar de ser reconhecida.
    Mas querer ser vista é querer existir.

    O primeiro passo para seres vista é começares a ver-te a ti própria.
    É duro admitir que, tantas vezes, fui eu a primeira a olhar para mim com desdém.

    O “não me vês” é o meu grito mais silencioso.
    Porque a invisibilidade também se aprende — e eu aprendi bem.
    Aprendi a estar presente sem ocupar espaço, a ouvir sem ser ouvida, a amar sem ser escolhida.

    Ver-me.
    É só isso.
    Mas às vezes é o mais difícil.
    Ainda assim, é o início de tudo — o ponto de retorno, o lugar onde a sombra começa a dissipar-se.

    📚 Fontes e referências

    1. Marshall Rosenberg — ideias sobre necessidade de reconhecimento, empatia e comunicação autêntica (base da Comunicação Não Violenta).
    2. Eva Illouz — conceitos sobre invisibilidade emocional e reconhecimento nas relações modernas, especialmente nas suas análises sobre o amor e o valor simbólico do olhar do outro.
    3. Débora de Menezes — reflexões sobre a mulher madura e o sentimento de invisibilidade social, presentes no seu trabalho sobre autoestima e envelhecimento feminino.
    4. Gemini (Google AI) — citação sobre o conceito simbólico de “mulher invisível” e a sua ligação à desvalorização e ao envelhecimento.

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